28 de mai de 2012

Esse tal darwinismo social

Até onde deve existir a competição? Até onde é natural que sempre haverá um vencedor e um perdedor? Até onde o instinto humano de querer se sentir superior através da vitória pode se sobressair de sua sapiência e preocupação com o outro? Afinal, qual o limite dessa competição que vivemos hoje em dia?
Nos condicionamos a aceitar grande parte das informações culturais que recebemos como coisas naturais e tudo então vira senso comum. A competição é uma informação cultural que é hoje vista como senso comum por grande parte da sociedade. Vivemos em um mundo de darwinismo social, em que é considerado natural o "mais forte" oprimir o mais fraco, tendo como argumento que o primeiro seria o mais apto a ocupar tal cargo em vez do mais fraco. Ora, onde fica a essência humana no meio disso tudo? Até onde é normal querer ser o mais forte? Vale a pena ser o mais forte se uma das condições é oprimir o mais fraco? Não, não vale. Não precisamos de um mundo que segue os padrões do mundo animal, onde aqueles mais aptos a sobreviver conseguem seu espaço na natureza. Somos seres humanos, seres pensantes, racionais e que portanto, têm total capacidade de refletir sobre as desigualdades entre os seres e não vê-las como algo normal. Diferente dos animais, quando buscamos sermos os mais fortes, não queremos apenas sobreviver, queremos nos vangloriar e demonstrar nossa suposta superioridade. Os animais vivem em competição, pois não são racionais, têm apenas o instinto, o qual diz a eles que necessitam de comida para sobreviver. Os animais não matam uns aos outros porque querem se sentir superiores, mas sim pela necessidade da caça. Já nós seres humanos não estamos nessa mesma condição. Se cada um consumisse somente o necessário, conseguiríamos sanar a miséria dos ditos "mais fracos". Ou seja, essa questão da competição não é natural, pois como seres pensantes, poderíamos muito bem dividir nossos lucros a fim de favorecer a todos e então, todos seriam vencedores. Mas isso no momento é uma utopia, dificilmente ocorreria. Agimos egoisticamente, pensando apenas no nosso próprio lucro, ignorando aqueles que são considerados fracos, mas que na verdade não tiveram condição de se preparar para luta da mesma forma que os mais fortes.
Desconstruir esse senso comum e ver que a vida não será necessariamente para sempre competitiva, nos faz ver que a ideia de competição é cultural, está impregnada em nós, pois uma ideologia quer que isso aconteça e não porque é de nossa natureza sermos competitivos. Seria então a competição uma erva daninha da sociedade? Não necessariamente. A competição muitas vezes motiva individualmente o ser ou em grupo para melhorarem e superarem a si mesmos. O grande problema é a competição exacerbada, que apaga a existência do outro, que faz com que passamos a vê-lo como um simples competidor, algo a ser destruído em busca da vitória. Antes de tudo, ele é um ser humano, que assim como nós, também deseja ganhar, deseja ter condições dignas para sobreviver na sociedade. Portanto, a solução não é acabar com a competição, mas sim uni-la a cooperação, a ajuda mútua entre os seres humanos e nos vermos como partes de um todo e não mais achar que uns são mais importantes do que outros. Todos poderão vencer se trabalharem em conjunto.



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